Mundo conectado? #sqn

01/10/2015

Em pleno 2015, supostamente um período de conexão mundial completa, um relatório de 100 páginas da Comissão de Banda Larga das Nações Unidas aponta que não, não há conexão universal. Então, estamos conectados? #sqn!

A Comissão da Banda Larga para o Desenvolvimento Digital (Broadband Commission for Digital Development) divulgou que, até o final de 2015, 57% da população mundial ainda não terá o benefício das “grandes vantagens econômicas e sociais que a internet pode oferecer”. Segundo o estudo, também é “improvável que se alcancem os 4 bilhões de usuários de Internet antes de concluirmos 2015”.

Alguns dos pontos do estudo:

– Ao final de 2015, 3,2 bilhões de pessoas estarão conectados na Internet, o que equivale a mais de 43,4% da população mundial total, em comparação com 2,9 bilhões de um ano antes (quase 40,6% da população);

– Nos países em desenvolvimento, a penetração da Internet será superior a 35,3% ao final de 2015, porém seguirá sendo inferior a 10%, isto é, 9,5% nos Países Menos Desenvolvidos, assim designados pelas Nações Unidas;

– A penetração da Internet se aproxima da saturação nos países desenvolvidos, onde 82,2% da população está on-line, mas é improvável que o objetivo mundial, de 60% fixado em 2011 pela Comissão de Banda Larga para 2015, seja alcançado antes de 2021;

– É improvável que a penetração de usuários de Internet nos países em desenvolvimento alcance o objetivo, de 50% fixado pela Comissão de Banda Larga, para antes de 2020. Até final de 2015, 57% da população mundial, é dizer 4 bilhões de pessoas, seguirá sem estar on-line;

– O acesso doméstico à Internet nos países desenvolvidos se aproxima da saturação, com mais de 81,3% dos lugares conectados. A proporção de lugares com acesso à Internet nos países em desenvolvimento passou de 31,5% no final de 2014 para mais de 34,1% um ano mais tarde (longe dos objetivos da Comissão para 2015, de 40%);

– As cifras da conectividade dos lugares revelam grandes disparidades: (a) menos de 7% dos lugares nos países menos desenvolvidos têm acesso e (b) na África subsaariana só um lugar de cada nove está conectado. Segundo a Point Topic, a Ásia tem o maior número total de lugares conectados à banda larga, com quase tantos no total como Europa e as Américas juntas;

– As disparidades entre homens e as mulheres na utilização da Internet se mantém apesar de tudo. E, estima-se que em 2013 havia 200 milhões de homens mais que mulheres on-line. Um problema notável é que os governos e os organismos de estatística não comunicam muitos dados desagregados por sexo.

Em relação à tecnologia móvel, o estudo aponta que de cada 100 pessoas, 97 terão acessibilidade à telefonia móvel no final de 2015, ou seja, 7 bilhões de usuários. Destes, 3,5 bilhões terão acesso à banda larga móvel.

Outro destaque do estudo aponta para a acessibilidade em termos econômicos, ou seja, o preço da banda larga fixa diminuiu uma média de 65% no mundo todo. Porém, em alguns países menos desenvolvidos, o serviço segue sendo proibido. A maioria dos países o preço da banda larga fixa é menor que 5% da renda média per capita, o que é sugerido pela Comissão.

O destaque final é para a Internet da Coisas (IoT): ela está crescendo rapidamente e a Deloitte predisse que em 2015 se comercializarão 1 bilhão de dispositivos IoT, 60% a mais que em 2014. A UIT prevê 25 bilhões de dispositivos conectados em rede em 2020, o que significa que os dispositivos conectados serão seis vezes mais numerosos que as pessoas conectadas.

Assim, o mundo conectado parece não estar tão conectado como é pregado pela mídia e governos. Políticas precisam ser implementadas, especialmente de inclusão de pessoas com menor poder aquisitivo.

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